ao fim de corridas épicas
sem ventania
silêncio respira
ergue os ombros
vidas e mortes
ossos e vozes
devolveram resquícios

do início calcinante
derramava
e contudo superior ao caos
solidão dos planetas
numa dança vertígica
sobre olhos
transbordaria

© Henrique Viudez

“Gosto de ler o Zé porque o Zé se descreve enquanto escreve.
Desenha ritmos que dizem tanto como as palavras que traz por companhia, num andar nu, desmaquiado de artifícios, de pés calçados apenas pelo pó que lhe vai sobrando das caminhadas da vida. E o que é um poeta senão um homem que faz das paixões destinos, dos silêncios cor, da vida cadências e do caminho versos?”
Joaquim Ramos

“Desapareceram as serras, não se voltam com as máquinas, os animais viscerais saíram a passeio há  mais de dois mil anos. Tendem regressar. – Diz o hino. A mulher anda a ver o que está por baixo das pedras, à boca leva o engenho demoníaco da saliva. Se pudesse cobrir o cabelo assistiria o que se passa nos espelhos. Inunda a boca com a voz da ancestralidade.”
Crítica literária na Palavra Comum, por Hirondina Joshua

isbn 978-65-5900-027-2
encadernação
brochura
formato
12 x 16,5
páginas
68 páginas
papel
pólen 90 gramas
edição
Editora Urutau, Brasil-Galiza, 2021

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